Os desafios para consolidação do mercado brasileiro de produtos orgânicos

Primeiro webinar da Flourish reúne convidados para discutir e pensar novos caminhos para a agricultura orgânica no Brasil
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A mobilização mundial contra a pandemia da Covid-19 tem ampliado a preocupação com a saúde e em manter uma alimentação saudável, que possa fortalecer a imunidade. Mesmo que em menor grau cresce também a consciência sobre a importância de estabelecer modelos de produção de alimentos mais amigáveis em relação ao meio ambiente. Nesse cenário a produção e o consumo de produtos orgânicos ganha relevância.

Já sabemos que o mercado de alimentos orgânicos está em crescimento no Brasil. Em 2019, quase 20% da população brasileira comprou alimentos orgânicos pelo menos uma vez por mês. A pandemia fez aumentar o consumo de alimentos orgânicos em várias regiões do Brasil. Essa tendência deve permanecer em um cenário pós-pandemia? Como comunicar melhor a importância de uma alimentação mais saudável? Em um país que se destaca na agricultura mundial, quais as oportunidades para a agricultura orgânica? Esses foram alguns dos temas discutidos no primeiro webinar sobre consumo de alimentos orgânicos, organizado pela Flourish e que aconteceu no dia 23 de junho.

“Estamos vendo uma explosão do e-commerce e isso abriu uma grande oportunidade de escoamento para a produção orgânica”, Felipe Aguiar, da Orgânicos in Box.

“Eu acredito que o momento que estamos vivendo é de muito questionamento e algumas mudanças vão acontecer muito rapidamente. Esse webinar é uma oportunidade para a Flourish avançar nessa discussão sobre o potencial da agricultura orgânica no Brasil”, disse Gustavo Mamão, fundador da Flourish. Além dele, participaram da conversa Clauber Cobi Cruz, diretor da Organis, uma entidade sem fins lucrativos, que trabalha para divulgar os conceitos e as práticas orgânicas, Filipe Aguiar, sócio da Orgânicos In Box, empresa do Rio de Janeiro que comercializa cestas de produtos orgânicos, e o professor do Departamento de Administração e Economia da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Paulo Henrique Leme, engenheiro agrônomo, administrador de empresas e especialista em certificações de café. Veja a seguir os destaques do encontro.

Comunicação

É fundamental mostrar que o orgânico é mais que um benefício individual, é também um benefício coletivo, social e ambiental. Esse pode ser um dos caminhos para justificar o preço mais alto do alimento orgânico que ainda é uma das barreiras no acesso a esses produtos. Por isso, “para promover o orgânico e aumentar o consumo é preciso conversar com o consumidor”, afirmou Clauber Cruz, da Organis. Nessa mesma linha, o empreendedor Filipe Aguiar, destacou a importância de reduzir os intermediários na cadeia de consumo dos orgânicos, aproximando produtor do consumidor. “Mas isso, é mais do que fazer transitar o alimento do campo para a cidade, significa fazer transitar a informação sobre o alimento orgânico e seu produtor para o consumidor”, disse.

“Para promover o alimento orgânico e aumentar o consumo é preciso conversar com o consumidor”, Clauber Cruz, da Organis.

Outro caminho para melhorar a comunicação sobre os orgânicos passa pela compreensão do orgânico como uma marca coletiva. O consumidor de alimentos orgânicos, em geral, não associa esses produtos a uma marca. O orgânico, e não uma marca propriamente dita, já é um fator de atração para o consumo, para uma pessoa escolher o que e onde vai comprar. No estágio do mercado em que estamos, explorar isso pode ser um caminho para consolidar o consumo.

“Competir por preço não é viável. Temos que conscientizar o consumidor, explicar que existe uma certificação, explicar o impacto no meio ambiente, na saúde, e na geração de renda do campo”, Filipe Aguiar, da Orgânicos in Box.

Outro aspecto importante é atrair novos players para esse mercado, atrair a indústria, mostrando que é possível ter uma cadeia logística robusta para esses produtos. Segundo o professor da UFLA, Paulo Henrique Leme, temos que chamar a atenção para esses novos caminhos da agricultura orgânica. “No Brasil, a agricultura orgânica tem dois caminhos, o dos pequenos, no mercado direto e tem o outro, o mundo fantástico das grandes empresas de negócios que mexem com o orgânico. Temos que explorar algumas aproximações entre eles ou até desenhar outros caminhos de iniciativa”, disse ele.

Certificação

Nesse sentido a certificação dos produtos orgânicos ganha relevância. Na opinião de Gustavo Mamão, da Flourish, o Selo Produto Orgânico, já cumpre um papel importante na comunicação com os consumidores. Mesmo assim, as discussões do webinar apontaram para a necessidade de fortalecer e uniformizar a certificação no mercado como um todo, para garantir a qualidade dos produtos e dar confiabilidade para o consumidor na hora de escolher o que compra. Isso, por sua vez, depende de melhorar todo o sistema de informação da cadeia de produção de orgânicos no Brasil. Segundo Paulo Lemos, o Ministério da Agricultura tem 120 bancos de dados diferentes. Isso tem que melhorar para gerar inteligência competitiva, prover transparência e rastreabilidade à cadeia como um todo.

“A transição orgânica é uma transição de estilo de vida, de pensamento, não apenas de práticas de trabalho, envolve uma mudança completa na vida de uma pessoa”, Paulo Henrique Lemos, especialista em certificações de café.

Para ter acesso ao Webinar na íntegra, acesse o Canal da Flourish [Negócios com Propósito] no Youtube

CRÉDITOS | Redação: Patrícia Mariuzzo

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